Notas

A vida é feita através de escolhas. Escolha o bem - Leia Da África ao Quilombo e Um divã Diferente, Livros de João Carlos Barreto

Finados: O Dia da Saudade.





Os Cemitérios de Goiânia foram visitados por milhares de pessoas que de alguma maneira homenagearam seus entes queridos mortos com orações, flores e velas. A maioria dos túmulos estava bem cuidada e limpa, outros nitidamente abandonados e depredados pela ação do tempo e do vandalismo. (Por João Carlos Barreto)

Nesse dia de Finados de 2018 fomos até o Cemitério Santana, o mais antigo de Goiânia, para cobrir as manifestações religiosas. Logo nas proximidades os camelôs vendiam flores e arranjos coloridos para serem colocados nos túmulos. O local ficou visualmente bastante florido, muitas das flores eram artificiais e outros produtos artesanais; muitas velas também foram comercializadas.

Aconteceram várias missas na intenção dos falecidos. Elas eram realizadas, praticamente, uma após a outra sempre com boa participação do público. A Igreja Adventista participou com muitos Pioneiros (escoteiros) que estavam espalhados pelo local compartilhando com as pessoas orações e até abraços para confortar aqueles mais sentidos com a perda de alguém.

Padre reclamou da limpeza do lugar.

Ao percorrer os corredores entre os túmulos, no lado esquerdo do Cruzeiro central quase no final, os visitantes se deparavam com o caminho interrompido por lixo que não tinha sido retirado pela administração após a limpeza. Uma torneira quebrada jorrou água por um tempo até que um funcionário fosse resolver o problema. Foram casos pontuais, no geral tudo estava bom.

                                  

“Na entrada do cemitério eles arrancaram árvores frutíferas como mangueira, limoeiro, goiabeira e ainda tiraram a ‘Carneira’ do doador daquele terreno para construção o cemitério, Orosimbo de Sousa Bueno, que era logo na entrada”. Falou o Pe. José Ferreira que estava atendendo espiritualmente aos seus fiéis.

                              

No local onde deveria estar o mausoléu do doador do terreno, seu Orosimbo, havia um espaço barrento e entre dois arbustos contendo uma faixa da campanha de prevenção contra a dengue.

Jovem satanista dormiu no cemitério.

Sentado num dos mausoléus fumando seu cigarro e falando ao telefone, um jovem dizia para seu familiar que havia passado a noite em cima do sepulcro da família. Estaria aguardando a chegada dos demais parentes para visita ao túmulo e resolveu por amor aos falecidos antecipar as homenagens.

“Cheguei ás 11horas da noite de ontem. Estou sentado aqui no túmulo do meu pai, avô, tio, dois padrinhos e da madrasta.” Disse Nick Lester. O rapaz informou ainda que passou a noite bebendo água e Catuaba, mas não parecia bêbado e nem drogado. Bem articulado na conversa revelou que era satanista e que havia sido batizado colocando o nome em um livro satânico assinado com seu próprio sangue utilizando a pena de uma ave. Mostrou o corte horizontal pouco acima do pulso esquerdo. Ele demonstrou muito amor pelos familiares mortos ali. Durante boa pare do tempo reacendia as duas velas que estavam próximas a ele como sinal de afeto.

Contou alguns fatos sobre os falecidos com pausas para atender a ligação dos familiares, muito provavelmente preocupados com ele. “Eles estão vindo, todos são católicos, tem uma tia evangélica e eu sou satanista”, deu um sorriso. Contou que existem vários grupos satanistas em Goiânia e que seguem essa fé com a mesma devoção religiosa de qualquer outra pessoa.

Nick contou ainda que chegou a fazer três anos de Medicina, mas parou. Outro telefonema. Logo em seguida passou um rapaz que realizava a limpeza dos túmulos, foi quando ele pediu para o garoto comprar mais uma garrafinha de Catuaba, prometendo uma gratificação pelo favor. O rapaz saiu para atender a solicitação dele. Despedimos-nos e ele continuou sentado no lugar, ouvindo rock do celular, fumando e sempre mantendo a chama das velas acesas.

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